quarta-feira, 12 de novembro de 2008
...ouço a voz dos dez corpos que te rodeiam, vazios...o espaço estranho do teu corpo transitando pelos buracos das paredes do segundo corpo...o olho que vê expõe a sua catarata de uma distância oceânica tropical cimentando imagens de catálogo o décimo primeiro corpo ou vigésimo quinto seio é o seu que me umedece os olhos como uma mãe farta de ternura de um meu corpo no teu corpo respirando o seu ar úmido como uma sombra guardada em potes vazios... vazio que se tornou o nosso amor e se tornou para entornar-se, magma incandescente e outra vez com a volúpia dos teus delírios da carne crua que eu preparo para nosso almoço nu, com umas sobras dos restos da poeira das tuas drogas que eu insisto em chamar-te farinha, pedra, giz, um bocado de línguas afoitas e o seu desejo cada vez mais te deformando a alma e o teu corpo pesando quatro décadas se curvando sobre o meu sono como numa caldeira fervendo nossas vísceras pronta para explodir o seu sêmem e o meu sêmem no seu dorso cor de rosa sobre a colcha de retalhos que você se tornou e me tornou uma pequena grande confusão de barrigas grávidas nos meus braços e as crianças que brincavam na calçada derrubando as nossas janelas pra dentro da casa e os teus vidros quebrados cortando nossas gargantas cansadas de um cansaço longo mais longo que tuas pernas agora ríspidas pontes de metal entre dois países tão distantes que nos tornamos e nos entornamos mais uma vez o vinho o vinagre que guardaste todos esses anos numa espera cheia de impaciências de idas e vindas da janela da porta da rua e a sua espera desesperada querendo ver um carro um ônibus um avião cruzando a esquina que mais dói dentro de mim....
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2 comentários:
"não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem."
te amo incondicionalmente...
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