sexta-feira, 15 de agosto de 2008

dos andores

...foi por transportá-la para tais cumes que tornei-me invisível, aderido à poeira, submerso nas colunas dos teus andores...corai-me com o teu esquecimento; dá-me o deleite de entrever a tua parte mais comum, nem melhor nem pior; dá-me o que não se sustenta ...o momento em que desfalece o músculo do seu riso...dá-me o seu cansaço, o seu silêncio...Existe uma procissão lá fora te beatificando, devorando a tua carne de palavras, cravando rosas no teu cílio, sangrando uma devoção de borboletas...deslizas calma destas tuas vestes, nua...deixa esse edifício de ornamentos; ele se sustenta sem a sua presença...foge comigo pelo vazio indecifrável do meu peito...