terça-feira, 22 de julho de 2008

a-parição



nunca houve um antes de tudo...
não havia escribas nas janelas,
a tua imagem insuportavelmente perfeita
eu escavei de um tempo que de tanto
deita seu infinito calmo, sem fronteiras
desespero...

o teu nome grudado na íris de todas as noites
eu te esculpi no meu silêncio
eu te talhei com a minha boca
te parindo e te devorando
eu te criei maior do que eu
regorgitando a poesia
macerando palavras

nascente da ebulição
infiltra no meu corpo a tua memória
provoca em mim estas rachaduras
dá-me o caos dos teus jardins de borboletas

sou a tua parte escondida, suspeita
me arrastando por entre os móveis do teu corpo
lustrando as tuas pernas
com meu hálito quente

sou a tua segunda pele
sou a tua primeira pele
o teu vazio por dentro
o teu peso
sou o funâmbulo
o cílio de sisal que te pende sobre a praça
sou a queda abrupta
o corpo estendido sobre o teu...
...é preciso saber morrer quando se ama...

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